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Érico Monte Lima

Na incumbência de relatar alguns fatos de minha vida marcados pelos meios de comunicação, vou descrever cinco episódios em ordem cronológica e acrescentar uma pequena conclusão após cada um deles.

O Falecimento do presidente Tancredo Neves
Há praticamente 14 anos, em 21 de abril de 85, morreu Tancredo Neves. Apesar de eu ter apenas quatro anos na época, essa lembrança ainda está muito viva na minha memória. Na tarde em que a notícia foi transmitida, eu estava sentado no sofá da sala com meu pai assistindo televisão. Sem entender muito bem o que estava acontecendo eu olhei para ele à procura de respostas, porém, para minha surpresa ele estava chorando.


Foi um impacto imenso vê-lo naquele estado. Nunca o tinha visto chorar e, por ironia do destino talvez, nunca havia pensado que ele pudesse exprimir tal sentimento. Imagine meu espanto, ele era meu ídolo, um modelo para mim. Enfim, ele era um homem, e eu não sabia que homens também choravam.

Esse fato foi muito importante para mim, pois me fez ver o mundo com outros olhos, além de ajudar no meu relacionamento com outras pessoas e a compreender melhor os sentimentos dos outros.

O Campeonato Brasileiro de 92
Desde pequeno torci para o Flamengo. Porém, isso devia-se, em grande parte, pela influência de minha família, até porque eu não ligava muito para esportes, especificamente futebol. No entanto, em 92 eu me aproximei mais a alguns amigos que praticavam esporte freqüentemente e que me convenceram a começar a praticar também.

Bem, nesse âmbito esportivo em que eu estava me envolvendo sempre havia espaço para rotineiras discussões sobre futebol, e na maioria das vezes eu fica meio de fora porque não tinha muito conhecimento sobre os times, jogadores etc. Então, resolvi acompanhar o campeonato brasileiro de futebol pela televisão e às vezes pelo rádio, foi uma experiência inovadora e muito prazerosa. Não sei, ao certo, se foi em virtude de o Flamengo ter ganho aquele emocionante campeonato que eu passei a adorar esportes, principalmente futebol, mas a minha vida mudou totalmente a partir daí.

Resolvi relatar esse episódio por ele ter tornado-se decisivo para mim até hoje. Não só por eu impor em casa a "ditadura do futebol", assim chamado por minha mãe o hábito de acompanhar diariamente o esporte pelos meios de comunicação, mas também por eu me preocupar mais com a saúde e o corpo e por eu ter consolidado um grupo de amigos muito unido até hoje.
 
 

A morte de Ayton Senna
Domingo de manhã de 01/05/94, acordei cedo para ajudar a preparar um churrasco onde seria comemorado o aniversário de meu irmão. Após algum tempo sentei para assistir à corrida de F-1 como de costume. Contagem regressiva e alguns petiscos à mão, estava tudo pronto para mais uma vitória de Senna, só não contava com um desastre que lhe custaria a vida.


Não preciso falar que o aniversário foi por água abaixo, literalmente, já que após algumas horas de tensão sem saber realmente o que tinha acontecido todos caíram em prantos com a confirmação da fatalidade. A partir daí foi uma semana de lágrimas e lamentações exploradas exaustivamente pela imprensa. No mesmo Domingo Gugu e Faustão usaram quase que completamente o espaço de seus programas, sem fala no Fantástico com imagens e textos melancólicos na voz de Cid Moreira.

Após ter assimilado o choque da perda de um ídolo, analisei como a imagem dele foi explorada e todo o sensacionalismo erguido pelos meios de comunicação que transformaram sua morte em um produto comercial. Fiquei muito revoltado quando cheguei a essa conclusão e foi um dos fatos que me incentivaram a fazer vestibular para jornalismo.

A aprovação no vestibular
Todo o meu vestibular foi diretamente ligado com os meios de comunicação, principalmente com a Internet. Desde o início do ano passado eu pesquisei informações sobre o curso daqui e da faculdade, já que vim de Aracaju esse foi o melhor meio para ter acesso a esses dados.

Durante o ano fiz inúmeras pesquisas na Internet, li jornais e revistas pela rede, procurei provas e até como fonte de lazer ela me foi útil. Mas a emoção maior foi, sem dúvida, ter visto meu nome na lista de aprovados, pela Internet é claro.

Como vim de Aracaju para cá a Internet está sendo muito importante pois posso falar com meus pais e amigos facilmente, o que a torna indispensável para mim hoje em dia.

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